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Trilha Diagnóstico

Prostatectomia radical robótica: como é a cirurgia e a recuperação

Por Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista · CRM-SP 126265 · Revisado em 04/11/2026

Resposta rápidaA prostatectomia radical robótica retira a próstata e as vesículas seminais por pequenas incisões, com instrumentos controlados pelo cirurgião. É um dos tratamentos com intenção de cura para o câncer de próstata localizado. Em comparação com a cirurgia aberta, costuma ter internação mais curta e menos necessidade de transfusão, com resultados de urina e ereção semelhantes nos estudos123.
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O Dr. Bruno Benigno mostra, a partir de um caso de Gleason 7, as etapas do diagnóstico à recuperação depois da cirurgia.

Em resumo

O que é a prostatectomia radical robótica?

É a cirurgia que retira a próstata inteira e as vesículas seminais, depois reconecta a bexiga à uretra. Na técnica robótica, o cirurgião opera sentado em um console, comandando braços com instrumentos finos e uma câmera em 3D, por cinco ou seis pequenos cortes na barriga.

O robô não opera sozinho: todos os movimentos são do cirurgião, que tem uma visão ampliada da pelve. As diretrizes europeias e americanas colocam a prostatectomia radical entre os tratamentos com intenção de cura para o câncer localizado14.

Quando o risco de o tumor ter chegado aos gânglios é relevante, o cirurgião também retira os gânglios linfáticos da pelve para estudo1.

Para quem a cirurgia robótica é indicada?

Principalmente para homens com câncer de próstata localizado de risco intermediário ou alto e boa expectativa de vida. Em tumores de baixo risco, a primeira opção costuma ser a vigilância ativa. A decisão leva em conta o laudo da biópsia, os exames de imagem, a idade e a saúde geral.

As diretrizes recomendam oferecer cirurgia ou radioterapia aos homens com doença localizada de risco intermediário ou alto e expectativa de vida acima de 10 anos14. Para o baixo risco, a vigilância ativa é a conduta preferida1.

Entenda o seu grupo de risco em ISUP e Gleason: como entender o laudo.

Cirurgia robótica ou aberta: o que dizem os estudos?

Num estudo australiano que sorteou 326 homens entre as duas técnicas, a função urinária e a sexual ficaram semelhantes até 2 anos. Uma revisão Cochrane mostrou que a técnica robótica reduz a internação em cerca de um dia e meio e diminui a necessidade de transfusão de sangue.

No estudo australiano, os autores concluíram que a experiência do cirurgião pesa mais do que a técnica escolhida e que os benefícios da robótica estão ligados ao fato de ser minimamente invasiva53.

A revisão Cochrane estimou 68 transfusões a menos a cada 1.000 homens operados por técnica minimamente invasiva, além da internação mais curta. Complicações graves foram pouco frequentes nas duas técnicas2.

Revisões de séries com milhares de pacientes mostraram melhor recuperação da continência e da ereção em 12 meses com a robótica em comparação com a cirurgia aberta, embora esses estudos não sejam sorteados67.

Como é a cirurgia, do começo ao fim?

A cirurgia é feita com anestesia geral. O cirurgião separa a próstata da bexiga e do reto, preserva sempre que possível os nervos da ereção e o mecanismo de continência, retira a próstata e costura a bexiga na uretra. Uma sonda fica na uretra por alguns dias enquanto essa costura cicatriza.

A preservação dos nervos depende da localização e da extensão do tumor: a prioridade é retirar todo o câncer, com margens livres1.

A internação costuma ser curta, e a maioria dos homens caminha no mesmo dia ou no dia seguinte. Veja os detalhes em pós-operatório da prostatectomia.

Quais são os riscos e os efeitos colaterais?

Os principais são o escape de urina, que costuma melhorar ao longo de meses, e a mudança na ereção, que depende da idade, da ereção antes da cirurgia e da preservação dos nervos. Após a cirurgia não há mais ejaculação, porque as glândulas que produzem o sêmen são retiradas.

Numa revisão de 51 estudos com cirurgia robótica, a incontinência um ano depois, considerando quem não usa absorvente ou usa só um de segurança, ficou em média em 9%6. A recuperação da ereção em 12 meses variou de 54% a 90% entre os estudos7.

No acompanhamento longo do estudo ProtecT, que incluiu cirurgia aberta e de anos atrás, 18% a 24% dos operados ainda usavam absorvente entre 7 e 12 anos depois8. Os resultados variam muito conforme a técnica e a experiência da equipe.

A hérnia inguinal também é mais comum depois da prostatectomia: cerca de 8% após a cirurgia robótica, contra 3% em homens não operados9.

Saiba mais em incontinência após a cirurgia e ereção após a cirurgia.

Cirurgia robótica ou radioterapia?

As duas têm resultados semelhantes de controle do câncer localizado. A cirurgia permite estudar a próstata inteira e saber exatamente a extensão do tumor; se depois for necessário, a radioterapia ainda pode ser usada como resgate. A escolha também considera idade, outras doenças e os efeitos de cada tratamento.

No estudo ProtecT, as mortes por câncer de próstata em 15 anos foram semelhantes com cirurgia e com radioterapia10. Os efeitos colaterais é que diferem: a cirurgia afeta mais a urina e a ereção no início; a radioterapia, mais o intestino a longo prazo8.

Depois da cirurgia, o PSA deve ficar indetectável. Se voltar a subir, a radioterapia de resgate é uma opção estabelecida11. Compare em cirurgia ou radioterapia: como escolher.

Como se preparar para a cirurgia?

Algumas atitudes ajudam a recuperação: fazer exercícios para o assoalho pélvico antes da cirurgia, manter-se ativo, controlar outras doenças e parar de fumar. Leve à consulta suas dúvidas sobre o tipo de anestesia, o tempo de internação e os cuidados com a sonda.

O treino do assoalho pélvico antes da operação ajuda a recuperar o controle da urina mais cedo. Veja como em fisioterapia pélvica.

Manter a atividade física também faz bem depois do diagnóstico: num estudo canadense com 830 homens acompanhados por até 17 anos, os mais ativos após o diagnóstico tiveram menor mortalidade12.

Perguntas frequentes

A cirurgia robótica de próstata é melhor que a aberta?

Num estudo que sorteou 326 homens, urina e ereção ficaram semelhantes em 2 anos3. A robótica tem internação mais curta e menos transfusões2. A experiência do cirurgião é um fator muito importante5.

Quanto tempo fico internado na cirurgia robótica de próstata?

Em geral, um a dois dias. A técnica minimamente invasiva reduz a internação em cerca de um dia e meio em comparação com a cirurgia aberta2.

Vou ficar com incontinência urinária depois da cirurgia?

Algum escape é esperado logo depois de tirar a sonda, e ele melhora ao longo de meses. Um ano depois da cirurgia robótica, cerca de 9 em cada 100 homens ainda precisam de mais que um absorvente de segurança6.

A ereção volta depois da prostatectomia robótica?

Depende da idade, da ereção antes da cirurgia e da preservação dos nervos. Nos estudos, a recuperação em 12 meses variou de 54% a 90%7. Existe tratamento e reabilitação para quem não recupera.

Depois da cirurgia ainda ejaculo?

Não. A próstata e as vesículas seminais, que produzem o sêmen, são retiradas. O orgasmo continua possível, mas sem ejaculação.

Quem pode fazer a cirurgia robótica?

Principalmente homens com câncer localizado de risco intermediário ou alto e expectativa de vida acima de 10 anos. A decisão é individual e considera o laudo, os exames e a saúde geral14.

Se o câncer voltar depois da cirurgia, ainda há tratamento?

Sim. O PSA é acompanhado após a cirurgia e, se subir, a radioterapia de resgate é uma opção com intenção de cura11.

Perguntas para levar à consulta

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Pós-operatório da prostatectomiaSonda, primeiros dias e retorno às atividades.Cirurgia ou radioterapia?Como comparar as opções com intenção de cura.Fisioterapia pélvicaPor que começar antes da cirurgia.

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Referências científicas

  1. Cornford P, van den Bergh RCN, Briers E, Van den Broeck T, Brunckhorst O, Darraugh J, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer-2024 Update. Part I: Screening, Diagnosis, and Local Treatment with Curative Intent. Eur Urol. 2024;86(2):148-163. doi:10.1016/j.eururo.2024.03.027 · PubMed 38614820
  2. Ilic D, Evans SM, Allan CA, Jung JH, Murphy D, Frydenberg M. Laparoscopic and robotic-assisted versus open radical prostatectomy for the treatment of localised prostate cancer. Cochrane Database Syst Rev. 2017;9(9):CD009625. doi:10.1002/14651858.CD009625.pub2 · PubMed 28895658
  3. Coughlin GD, Yaxley JW, Chambers SK, Occhipinti S, Samaratunga H, Zajdlewicz L, et al. Robot-assisted laparoscopic prostatectomy versus open radical retropubic prostatectomy: 24-month outcomes from a randomised controlled study. Lancet Oncol. 2018;19(8):1051-60. doi:10.1016/S1470-2045(18)30357-7 · PubMed 30017351
  4. Eastham JA, Auffenberg GB, Barocas DA, Chou R, Crispino T, Davis JW, et al. Clinically Localized Prostate Cancer: AUA/ASTRO Guideline, Part I: Introduction, Risk Assessment, Staging, and Risk-Based Management. J Urol. 2022;208(1):10-8. doi:10.1097/JU.0000000000002757 · PubMed 35536144
  5. Yaxley JW, Coughlin GD, Chambers SK, Occhipinti S, Samaratunga H, Zajdlewicz L, et al. Robot-assisted laparoscopic prostatectomy versus open radical retropubic prostatectomy: early outcomes from a randomised controlled phase 3 study. Lancet. 2016;388(10049):1057-66. doi:10.1016/S0140-6736(16)30592-X · PubMed 27474375
  6. Ficarra V, Novara G, Rosen RC, Artibani W, Carroll PR, Costello A, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting urinary continence recovery after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):405-17. doi:10.1016/j.eururo.2012.05.045 · PubMed 22749852
  7. Ficarra V, Novara G, Ahlering TE, Costello A, Eastham JA, Graefen M, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting potency rates after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):418-30. doi:10.1016/j.eururo.2012.05.046 · PubMed 22749850
  8. Donovan JL, Hamdy FC, Lane JA, Young GJ, Metcalfe C, Walsh EI, et al. Patient-Reported Outcomes 12 Years after Localized Prostate Cancer Treatment. NEJM Evid. 2023;2(4):EVIDoa2300018. doi:10.1056/EVIDoa2300018 · PubMed 38320051
  9. Alder R, Zetner D, Rosenberg J. Incidence of Inguinal Hernia after Radical Prostatectomy: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Urol. 2020;203(2):265-74. doi:10.1097/JU.0000000000000313 · PubMed 31039101
  10. Hamdy FC, Donovan JL, Lane JA, Metcalfe C, Davis M, Turner EL, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547-1558. doi:10.1056/NEJMoa2214122 · PubMed 36912538
  11. Tilki D, van den Bergh RCN, Briers E, Van den Broeck T, Brunckhorst O, Darraugh J, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. Part II-2024 Update: Treatment of Relapsing and Metastatic Prostate Cancer. Eur Urol. 2024;86(2):164-182. doi:10.1016/j.eururo.2024.04.010 · PubMed 38688773
  12. Friedenreich CM, Wang Q, Neilson HK, Kopciuk KA, McGregor SE, Courneya KS. Physical Activity and Survival After Prostate Cancer. Eur Urol. 2016;70(4):576-85. doi:10.1016/j.eururo.2015.12.032 · PubMed 26774959

Diretrizes

Baseado nas diretrizes da EAU (2024) e da AUA/ASTRO (2022), em estudos randomizados e em revisões sistemáticas.

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