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Incontinência após a cirurgia: quanto tempo leva para melhorar

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O Dr. Bruno Benigno responde: quanto tempo leva, em média, para recuperar a ereção e o controle da urina após a prostatectomia radical?
Em resumo
- Logo após retirar a sonda, quase todos os homens têm algum escape — isso NÃO significa que ficará assim.
- Marcos típicos: 1º mês, escapes aos esforços; 3º mês, muitos já usam apenas um protetor por segurança; 12º mês, a grande maioria está seca ou quase seca.
- A fisioterapia pélvica acelera essa curva. Para o pequeno grupo com escape persistente após 1 ano, existem soluções eficazes (sling, esfíncter artificial).
Por que a urina escapa depois da cirurgia de próstata?
Porque a próstata ajudava a segurar a urina. Depois que ela é retirada, o controle passa a depender quase só do esfíncter externo e dos músculos do assoalho pélvico, que precisam de tempo e treino para assumir essa função. Por isso, algum escape logo após tirar a sonda é esperado.
A prostatectomia radical é a cirurgia que retira toda a próstata. Ela fica logo abaixo da bexiga, abraçando o canal da urina. Junto com o colo da bexiga, a próstata funcionava como uma “segunda válvula”.
Sem ela, sobra o esfíncter externo, um pequeno anel de músculo que fecha a uretra, apoiado pelos músculos do assoalho pélvico (a musculatura que sustenta a bexiga e o intestino, como uma rede). Esses músculos ficam inchados e “desacostumados” nas primeiras semanas.
O tipo mais comum é a incontinência de esforço: o escape acontece ao tossir, espirrar, levantar da cadeira ou carregar peso. Ter escapes nessa fase não significa que o problema será permanente. A diretriz europeia (EAU) recomenda que todo homem seja informado sobre isso antes da cirurgia, para decidir com expectativas realistas1.
Quanto tempo dura a incontinência urinária após a prostatectomia?
Na maioria dos homens, a melhora vem em ondas: grande avanço nos primeiros 3 meses e ganhos que continuam até 12 meses. Em uma revisão de estudos com cirurgia robótica, cerca de 9 em cada 10 homens estavam sem absorvente ou usando apenas um protetor de segurança em um ano.
Os marcos mais comuns são: no 1º mês, escapes aos esforços; por volta do 3º mês, muitos já usam apenas um protetor por segurança; no 12º mês, a grande maioria está seca ou quase seca.
Uma revisão sistemática de 51 estudos sobre prostatectomia robótica encontrou incontinência em um ano entre 4% e 31% (média de 16%) quando se exige “nenhum absorvente”. Quando se aceita um protetor de segurança, a taxa cai para 8% a 11% (média de 9%)2. A diferença mostra como a forma de medir muda o número.
No grande estudo britânico ProtecT, a cirurgia foi o tratamento com maior impacto na continência. Houve recuperação ao longo do tempo, mas uma parte dos homens manteve algum grau de escape em comparação com radioterapia ou monitoramento3. Por isso, a conversa sobre expectativas deve ser individual.
O que aumenta ou diminui a chance de recuperar o controle da urina?
Idade, peso, outras doenças, sintomas urinários antes da cirurgia e o tamanho da próstata influenciam a recuperação. A técnica cirúrgica e a experiência da equipe também contam. Esses fatores ajudam a prever o ritmo, mas não definem sozinhos o resultado de cada pessoa.
Na revisão de Ficarra e colaboradores, os fatores ligados a mais incontinência foram idade mais avançada, índice de massa corporal elevado, mais doenças associadas, sintomas urinários prévios e próstata maior2.
A mesma análise mostrou que a reconstrução da musculatura atrás da uretra durante a cirurgia deu uma pequena vantagem no primeiro mês, e que os resultados em um ano variam com a experiência do cirurgião2. Radioterapia prévia ou posterior à cirurgia também pode tornar a recuperação mais lenta4.
O que está nas suas mãos: manter o peso sob controle, parar de fumar (a tosse crônica força o esfíncter), tratar a prisão de ventre e fazer os exercícios do assoalho pélvico com regularidade.
Quais exercícios e cuidados ajudam no dia a dia?
O principal cuidado é o treino do assoalho pélvico, idealmente orientado por fisioterapeuta e iniciado antes da cirurgia. Somam-se hábitos simples: distribuir a ingestão de líquidos ao longo do dia, reduzir café e álcool e contrair a musculatura antes de tossir ou levantar peso.
A diretriz americana AUA/SUFU afirma que os exercícios do assoalho pélvico podem acelerar a recuperação da continência e devem ser oferecidos a quem vai operar4. Uma revisão Cochrane encontrou menos incontinência em um ano entre homens que treinaram (10%) do que nos controles (32%), embora os estudos tenham limitações e os resultados não sejam uniformes5.
Alguns cuidados práticos:
- Não corte a água: urina muito concentrada irrita a bexiga. Prefira beber aos poucos e reduzir à noite.
- Diminua café, chá preto, refrigerantes e álcool, que aumentam a urgência.
- Antes de tossir, espirrar ou levantar, contraia o assoalho pélvico por alguns segundos.
- Use protetores próprios para homens; eles dão segurança para sair de casa e retomar a rotina.
- Anote quantos protetores usa por dia: é a forma mais simples de acompanhar a melhora.
Incontinência urinária após cirurgia de próstata tem cura quando persiste?
Sim, existem tratamentos eficazes. Para o pequeno grupo que ainda tem escape importante após cerca de 12 meses, ou incontinência intensa já aos 6 meses, a diretriz AUA/SUFU considera razoável discutir cirurgia, como o sling masculino ou o esfíncter urinário artificial.
Antes de indicar cirurgia, o urologista costuma avaliar quantos protetores são usados, se há urgência (vontade súbita) além do escape aos esforços e se existe estreitamento na junção entre bexiga e uretra. Às vezes é pedido um estudo urodinâmico, exame que mede como a bexiga enche e esvazia4.
Remédios têm papel limitado na incontinência de esforço. Quando há também bexiga hiperativa (urgência e idas frequentes ao banheiro), medicamentos para esse componente podem ajudar4. Dispositivos de compressão externa do pênis existem, mas exigem orientação e uso por períodos curtos5.
Sling masculino ou esfíncter artificial: como se decide?
O sling é uma faixa sintética que apoia a uretra, geralmente indicada para escapes leves a moderados. O esfíncter artificial é um anel inflável controlado por uma pequena bomba no escroto, mais usado em escapes moderados a graves. A escolha é individual e feita com o urologista.
O estudo MASTER comparou os dois em 380 homens com incontinência de esforço após cirurgia de próstata. Em 12 meses, o sling não foi inferior ao esfíncter artificial na continência relatada pelos pacientes. Ambos melhoraram muito os sintomas e a qualidade de vida, com satisfação alta nos dois grupos; alguns desfechos secundários favoreceram o esfíncter6.
O esfíncter artificial exige que o paciente consiga manusear a bomba com as mãos. Radioterapia prévia, gravidade do escape e preferências pessoais pesam na decisão4. Não há uma opção que sirva para todos: a indicação depende da avaliação individual.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a incontinência urinária após a prostatectomia?
Escapes de urina após a prostatectomia são esperados e, na grande maioria, temporários. A recuperação acontece em ondas: grande melhora nos primeiros 3 meses e ganhos até 12 meses.
Vou precisar usar fralda para sempre depois da cirurgia de próstata?
Na grande maioria dos casos, não. O uso de fraldas ou protetores é comum nas primeiras semanas e vai diminuindo. Em um ano, cerca de 9 em cada 10 homens operados por via robótica estão sem absorvente ou usam apenas um protetor de segurança, segundo revisão de estudos. Para quem continua com escape importante, existem tratamentos eficazes.
É normal ter escape de urina depois de tirar a sonda?
Sim. Logo após a retirada da sonda, quase todos os homens têm algum escape, principalmente ao tossir, levantar ou caminhar. Isso acontece porque o esfíncter e o assoalho pélvico ainda estão se adaptando. Não significa que o problema ficará assim. Informe a equipe se houver dor, febre, sangue em grande quantidade ou dificuldade para urinar.
Existe remédio para incontinência urinária após cirurgia de próstata?
Para o escape aos esforços, que é o tipo mais comum após a cirurgia, os remédios têm papel limitado. Quando existe também urgência, com vontade súbita de urinar, alguns medicamentos para bexiga hiperativa podem ajudar. O tratamento principal nos primeiros meses é o treino do assoalho pélvico. A indicação de qualquer remédio deve ser feita pelo médico.
A radioterapia também causa incontinência urinária?
Com menos frequência que a cirurgia. No estudo ProtecT, a radioterapia teve pouco efeito sobre a continência, embora tenha causado mais irritação urinária e intestinal nos primeiros meses. Quando a radioterapia é feita depois da prostatectomia, a recuperação do controle urinário pode ser mais lenta. Converse com sua equipe sobre o seu caso.
Quando devo procurar o médico por causa do escape de urina?
Leve suas dúvidas a todas as consultas de acompanhamento. Procure antes se o escape piorar em vez de melhorar, se houver jato muito fraco, dor, febre ou sangue na urina. Se, após cerca de um ano, você ainda usa vários protetores por dia, vale discutir com o urologista as opções de tratamento, como sling ou esfíncter artificial.
A fisioterapia pélvica realmente ajuda?
Ajuda para muitos homens, sobretudo a acelerar a recuperação nos primeiros meses. As diretrizes recomendam oferecer exercícios do assoalho pélvico, idealmente com orientação profissional e começando antes da cirurgia. Os estudos têm resultados variados e parte da melhora acontece naturalmente com o tempo, mas o treino é seguro, barato e ajuda a pessoa a participar ativamente da recuperação.
Perguntas para levar à consulta
- Meu PSA está no valor esperado para esta fase?
- De quanto em quanto tempo devo repetir os exames?
- O que posso fazer para acelerar a continência e a ereção?
- Estou liberado para exercício físico? Quais?
- Quando devo me preocupar com uma subida do PSA?
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Referências científicas
- Cornford P, van den Bergh RCN, Briers E, Van den Broeck T, Brunckhorst O, Darraugh J, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer-2024 Update. Part I: Screening, Diagnosis, and Local Treatment with Curative Intent. Eur Urol. 2024;86(2):148-163. doi:10.1016/j.eururo.2024.03.027 · PubMed 38614820
- Ficarra V, Novara G, Rosen RC, Artibani W, Carroll PR, Costello A, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting urinary continence recovery after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):405-17. doi:10.1016/j.eururo.2012.05.045 · PubMed 22749852
- Donovan JL, Hamdy FC, Lane JA, Mason M, Metcalfe C, Walsh E, et al. Patient-Reported Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2016;375(15):1425-1437. doi:10.1056/NEJMoa1606221 · PubMed 27626365
- Sandhu JS, Breyer B, Comiter C, Eastham JA, Gomez C, Kirages DJ, et al. Incontinence after Prostate Treatment: AUA/SUFU Guideline. J Urol. 2019;202(2):369-378. doi:10.1097/JU.0000000000000314 · PubMed 31059663
- Anderson CA, Omar MI, Campbell SE, Hunter KF, Cody JD, Glazener CM. Conservative management for postprostatectomy urinary incontinence. Cochrane Database Syst Rev. 2015;1(1):CD001843. doi:10.1002/14651858.CD001843.pub5 · PubMed 25602133
- Constable L, Abrams P, Cooper D, Kilonzo M, Cotterill N, Harding C, et al. Synthetic sling or artificial urinary sphincter for men with urodynamic stress incontinence after prostate surgery: the MASTER non-inferiority RCT. Health Technol Assess. 2022;26(36):1-152. doi:10.3310/TBFZ0277 · PubMed 35972773
Diretrizes
Baseado em diretriz EAU 2025 e literatura de reabilitação pós-prostatectomia
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual com seu médico.