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Trilha Diagnóstico

Resultado da biópsia: Gleason, ISUP e PI-RADS traduzidos

Por Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista · CRM-SP 126265 · Revisado em 23/09/2026

Resposta rápidaSeu laudo tem três informações-chave: o Gleason/ISUP (agressividade), o número de fragmentos acometidos (extensão) e o estadiamento. Juntos com o PSA, eles definem seu grupo de risco.

Em resumo

Como interpretar o resultado da biópsia de próstata?

O laudo traz três informações-chave: o grau de agressividade (Gleason e ISUP), a extensão do tumor (quantos fragmentos têm câncer e em que proporção) e achados adicionais, como invasão perineural. Somados ao PSA e ao exame clínico, eles definem o grupo de risco.

Receber um laudo com a palavra adenocarcinoma assusta. Adenocarcinoma é apenas o nome do tipo mais comum de câncer de próstata. O que realmente importa para decidir o tratamento é o grupo de risco, e não o nome do diagnóstico.

Um resultado negativo significa que não foi encontrado câncer nos fragmentos analisados. Se o PSA ou a ressonância continuarem suspeitos, o médico pode indicar acompanhamento ou uma nova biópsia.

O que é o escore de Gleason?

O Gleason é uma nota dada pelo patologista ao aspecto das células do tumor ao microscópio. Ele soma os dois padrões mais frequentes, cada um de 3 a 5. Hoje, na prática, o menor escore atribuído é 6 (3+3) e o maior é 10 (5+5).

O primeiro número é o padrão predominante e o segundo é o segundo mais comum, ou o mais agressivo presente. Quanto mais o tecido perde a arquitetura normal de glândulas, maior o padrão.

Um problema histórico é que o menor escore usado ser 6, numa escala até 10, dá a falsa impressão de um tumor mediano. Por isso, especialistas criaram em 2014 uma classificação mais intuitiva, os Grupos de Grau ISUP1.

Qual a diferença entre Gleason e ISUP?

O ISUP (ou Grupo de Grau) traduz o Gleason em cinco categorias, de 1 (menos agressivo) a 5 (mais agressivo). Gleason 3+3 corresponde a ISUP 1; 3+4 a ISUP 2; 4+3 a ISUP 3; 8 a ISUP 4; e 9 ou 10 a ISUP 5.

Essa classificação foi validada em mais de 20 mil homens operados e mais de 5 mil tratados com radioterapia, e adotada pela Organização Mundial da Saúde1,2. A maioria dos laudos atuais traz as duas formas, por exemplo: Gleason 3+4=7 (Grupo de Grau 2).

Gleason 7 (3+4) e (4+3) são a mesma coisa?

Não. Apesar de somarem 7, o Gleason 4+3 tem mais componente agressivo e pior prognóstico do que o 3+4. Em um grande estudo, o risco de o PSA voltar a subir após a cirurgia foi cerca de 1,9 vez maior no 3+4 e 5,1 vezes maior no 4+3, em comparação com o Gleason 62.

No mesmo estudo, esse risco relativo foi de 8,0 no Gleason 8 e de 11,7 no Gleason 9–102. Por isso a ordem dos números importa, e muitos laudos informam também a porcentagem de padrão 4 no Gleason 7, recomendada pela ISUP3.

Um Gleason 3+4 com pouco padrão 4 pode, em casos selecionados, ser acompanhado com vigilância ativa. Já o 4+3 costuma exigir tratamento.

O que mais aparece no laudo além do Gleason?

Além do Gleason, o laudo informa quantos fragmentos têm câncer, a porcentagem de cada fragmento ocupada pelo tumor e achados como invasão perineural, padrão cribriforme ou carcinoma intraductal. Esses detalhes ajudam a estimar a extensão e a agressividade da doença.

Termos frequentes e o que significam:

Como o laudo define o grupo de risco?

O grupo de risco combina o ISUP, o PSA e o estágio clínico. De forma simplificada, baixo risco é ISUP 1 com PSA abaixo de 10; intermediário inclui ISUP 2–3 ou PSA de 10 a 20; e alto risco inclui ISUP 4–5, PSA acima de 20 ou tumor além da próstata.

O estadiamento TNM descreve o tamanho e a extensão do tumor (T), se há linfonodos acometidos (N) e se há metástase (M). A diretriz americana ainda divide o risco intermediário em favorável e desfavorável, o que ajuda a escolher entre vigilância, tratamento isolado ou tratamento combinado4. A diretriz europeia usa critérios muito parecidos, com pequenas diferenças5.

A ressonância magnética, classificada pelo sistema PI-RADS de 1 a 5, indica a probabilidade de haver um tumor relevante em cada área. Ela orienta onde biopsiar e ajuda a estimar a extensão da doença, mas não substitui a biópsia5.

A biópsia analisa apenas amostras da próstata. Em parte dos casos, a avaliação da próstata inteira após a cirurgia mostra um grau diferente do encontrado na biópsia.

O que fazer depois de receber o laudo?

Respire e não tome decisões apressadas: o câncer de próstata localizado costuma evoluir devagar. Organize os exames, anote suas dúvidas e leve tudo à consulta. O médico vai reunir laudo, PSA, toque e ressonância para definir o grupo de risco e as opções adequadas ao seu caso.

Alguns passos práticos:

Perguntas frequentes

O que significam Gleason e ISUP no laudo da biópsia de próstata?

Seu laudo tem três informações-chave: o Gleason/ISUP (agressividade), o número de fragmentos acometidos (extensão) e o estadiamento. Juntos com o PSA, eles definem seu grupo de risco.

Gleason 6 (3+3) é câncer de verdade?

Sim, é classificado como câncer, mas de baixo grau (ISUP 1), com comportamento quase sempre lento e baixíssimo potencial de se espalhar. Por isso, para a maioria dos homens com Gleason 6 e PSA abaixo de 10, as diretrizes recomendam vigilância ativa em vez de cirurgia ou radioterapia imediatas, sempre com avaliação individual.

Gleason 7 tem cura?

Na maioria dos casos em que a doença está restrita à próstata, sim, o Gleason 7 é tratado com intenção curativa, por cirurgia ou radioterapia. O 3+4 tem prognóstico mais favorável que o 4+3. Alguns casos de 3+4 com pouco padrão 4 podem até ser acompanhados com vigilância ativa. A decisão depende do conjunto de exames.

Gleason 8 tem cura?

Gleason 8 (ISUP 4) é um tumor de alto grau, mas quando está restrito à próstata ou à região pélvica, muitos homens são tratados com intenção curativa, geralmente combinando tratamentos, como radioterapia com bloqueio hormonal ou cirurgia seguida de outras terapias. Exames de estadiamento, como o PET-PSMA, ajudam a planejar. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

O que significa ISUP 2 na biópsia de próstata?

ISUP 2 corresponde ao Gleason 3+4=7. Significa que predomina o padrão 3, menos agressivo, com uma parte de padrão 4. É considerado risco intermediário, geralmente favorável quando o PSA está abaixo de 10 e há pouco tumor. Pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia e, em casos selecionados, acompanhado com vigilância ativa.

Invasão perineural significa que o câncer se espalhou?

Não. Invasão perineural significa que o tumor foi visto ao redor de pequenos nervos dentro da própria próstata. É um achado comum e não indica metástase. Pode sugerir maior chance de o tumor alcançar a borda da próstata, e por isso é considerado junto com os outros dados do laudo e da ressonância.

Quanto tempo demora o resultado da biópsia de próstata?

Em geral, o resultado fica pronto entre uma e duas semanas, podendo levar mais tempo quando o patologista precisa de exames complementares, como a imuno-histoquímica. O ideal é revisar o laudo em consulta, com calma, para entender o grupo de risco e as opções de conduta.

Perguntas para levar à consulta

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Referências científicas

  1. Epstein JI, Egevad L, Amin MB, Delahunt B, Srigley JR, Humphrey PA, et al. The 2014 International Society of Urological Pathology (ISUP) Consensus Conference on Gleason Grading of Prostatic Carcinoma: Definition of Grading Patterns and Proposal for a New Grading System. Am J Surg Pathol. 2016;40(2):244-52. doi:10.1097/PAS.0000000000000530 · PubMed 26492179
  2. Epstein JI, Zelefsky MJ, Sjoberg DD, Nelson JB, Egevad L, Magi-Galluzzi C, et al. A Contemporary Prostate Cancer Grading System: A Validated Alternative to the Gleason Score. Eur Urol. 2016;69(3):428-35. doi:10.1016/j.eururo.2015.06.046 · PubMed 26166626
  3. Epstein JI, Amin MB, Reuter VE, Humphrey PA. Contemporary Gleason Grading of Prostatic Carcinoma: An Update With Discussion on Practical Issues to Implement the 2014 International Society of Urological Pathology (ISUP) Consensus Conference on Gleason Grading of Prostatic Carcinoma. Am J Surg Pathol. 2017;41(4):e1-7. doi:10.1097/PAS.0000000000000820 · PubMed 28177964
  4. Eastham JA, Auffenberg GB, Barocas DA, Chou R, Crispino T, Davis JW, et al. Clinically Localized Prostate Cancer: AUA/ASTRO Guideline, Part I: Introduction, Risk Assessment, Staging, and Risk-Based Management. J Urol. 2022;208(1):10-8. doi:10.1097/JU.0000000000002757 · PubMed 35536144
  5. Cornford P, van den Bergh RCN, Briers E, Van den Broeck T, Brunckhorst O, Darraugh J, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer-2024 Update. Part I: Screening, Diagnosis, and Local Treatment with Curative Intent. Eur Urol. 2024;86(2):148-63. doi:10.1016/j.eururo.2024.03.027 · PubMed 38614820

Diretrizes

Baseado em classificação ISUP 2014/OMS 2022 e grupos de risco NCCN 2025

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual com seu médico.