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Fatores de risco do câncer de próstata: idade, família e genética

Por Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista · CRM-SP 126265 · Revisado em 04/11/2026

Resposta rápidaOs principais fatores de risco do câncer de próstata são a idade, ter pai ou irmão com a doença, a ancestralidade negra e alterações genéticas hereditárias, como no gene BRCA2. Quem tem esses fatores deve começar a conversa sobre o PSA mais cedo, entre 40 e 45 anos1234.
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O Dr. Bruno Benigno explica por que a genética, como a alteração no BRCA2, muda a forma de acompanhar o câncer de próstata.

Em resumo

A idade é o principal fator de risco?

Sim. O câncer de próstata é raro antes dos 50 anos e fica mais comum a cada década depois disso. É por isso que a avaliação da próstata costuma começar a partir dos 50 anos na maioria dos homens.

A idade é o fator de risco mais importante e que não pode ser mudado1. A SBU orienta que a avaliação comece aos 50 anos e que, depois dos 75, seja feita apenas em quem tem expectativa de vida maior que 10 anos3.

Veja todas as recomendações em quando fazer o exame de PSA.

Ter pai ou irmão com câncer de próstata aumenta o meu risco?

Sim. Ter um parente de primeiro grau (pai ou irmão) com câncer de próstata aumenta o risco em cerca de 2,5 vezes. O aumento é maior quando o parente é o irmão, quando há mais de um parente afetado e quando o diagnóstico foi feito antes dos 65 anos.

Uma análise que reuniu 33 estudos encontrou risco 2,5 vezes maior para quem tem um parente de primeiro grau com a doença: 3,1 vezes quando é um irmão e 2,4 vezes quando é o pai. Com dois ou mais parentes de primeiro grau afetados, o risco foi 4,4 vezes maior2.

A idade do parente também conta: quando ele recebeu o diagnóstico antes dos 65 anos, o risco foi 2,9 vezes maior; depois dos 65, 1,9 vez2.

Por isso, a SBU recomenda que homens com pai ou irmão com câncer de próstata comecem a avaliação aos 45 anos3.

Por que homens negros têm mais risco?

Homens negros têm câncer de próstata com mais frequência e, em média, morrem mais da doença. Nos Estados Unidos, a mortalidade é o dobro da observada em homens brancos. Por isso, a recomendação é começar a avaliação mais cedo, aos 45 anos.

O dado de mortalidade duas vezes maior é do relatório anual da Sociedade Americana do Câncer5. As causas envolvem fatores biológicos e também diferenças de acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

No Brasil, a SBU inclui homens negros no grupo de risco, com avaliação a partir dos 45 anos3. Informação e acesso ao urologista são as melhores formas de reduzir essa diferença.

O que é BRCA2 e por que ele importa?

BRCA1 e BRCA2 são genes que ajudam a reparar o DNA. Quem herda uma alteração nesses genes tem mais risco de alguns cânceres, incluindo o de próstata. No BRCA2, o risco é maior: cerca de 27% até os 75 anos e 60% até os 85 anos.

Esses números vêm de um estudo britânico que acompanhou mais de 800 homens portadores dessas alterações, que mostrou risco cerca de 4,5 vezes maior para os portadores de BRCA2 em comparação com a população geral. O BRCA1 também aumenta o risco, porém em menor grau6.

No estudo internacional IMPACT, que fez rastreamento com PSA em portadores de BRCA, os homens com BRCA2 tiveram mais diagnósticos, em idade mais jovem e com tumores mais agressivos7.

Por isso, um consenso internacional recomenda que portadores de BRCA2 iniciem o rastreamento aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico mais precoce na família4. Essas alterações também podem mudar o tratamento do câncer avançado, com medicamentos chamados inibidores de PARP.

Quem deve fazer aconselhamento genético?

O aconselhamento genético deve ser considerado quando há vários parentes com câncer do mesmo lado da família, principalmente câncer de próstata, mama, ovário ou pâncreas, ou quando já se conhece uma alteração genética na família. Homens com câncer de próstata avançado também costumam ter indicação de teste.

Os critérios de indicação constam do consenso internacional sobre testes genéticos no câncer de próstata4 e das diretrizes europeias8.

O aconselhamento genético explica o que o teste pode mostrar, como o resultado muda o acompanhamento e o que ele significa para filhos, irmãos e irmãs. Ter uma alteração genética não quer dizer que a pessoa terá câncer, mas pede um acompanhamento mais próximo.

Vasectomia, vida sexual e outros mitos

A vasectomia não aumenta o risco de câncer de próstata. Também não há evidência de que a vida sexual cause a doença; estudos observacionais até associam ejaculação mais frequente a um risco um pouco menor. O que mais pesa são idade, família e genética.

Um estudo canadense comparou mais de 326 mil homens que fizeram vasectomia com o mesmo número de homens que não fizeram. Depois de considerar que quem faz vasectomia costuma ir mais ao médico e fazer mais exames, não houve aumento do risco de câncer de próstata, de tumores agressivos ou de morte pela doença9.

Num estudo americano com mais de 31 mil homens acompanhados por 18 anos, quem relatava 21 ou mais ejaculações por mês teve risco cerca de 20% menor do que quem relatava de 4 a 710. Esse tipo de estudo mostra associação, não prova causa e efeito.

Hábitos saudáveis fazem bem à saúde como um todo. Veja alimentação e câncer de próstata.

Perguntas frequentes

Câncer de próstata é hereditário?

Em parte. Ter pai ou irmão com a doença aumenta o risco em cerca de 2,5 vezes2, e alterações genéticas herdadas, como no BRCA2, aumentam ainda mais6. A maioria dos casos, porém, não tem uma causa hereditária definida.

Meu pai teve câncer de próstata. Quando devo começar os exames?

A SBU orienta começar a avaliação aos 45 anos para quem tem pai ou irmão com a doença3. Se o diagnóstico dele foi antes dos 65 anos, o risco é maior, e vale conversar com o urologista sobre começar ainda mais cedo2.

Homem negro tem mais risco de câncer de próstata?

Sim. Nos Estados Unidos, a mortalidade é o dobro da de homens brancos5. A SBU recomenda iniciar a avaliação aos 45 anos3.

Quem tem BRCA2 deve começar o PSA com quantos anos?

Aos 40 anos, ou 10 anos antes da idade do diagnóstico mais precoce na família, segundo o consenso internacional4.

Vasectomia causa câncer de próstata?

Não. Um estudo com mais de 326 mil homens que fizeram vasectomia não encontrou aumento do risco de câncer de próstata, de tumores agressivos ou de morte pela doença9.

Câncer de mama na família aumenta o risco de câncer de próstata?

Pode aumentar, quando está ligado a alterações genéticas como no BRCA1 ou BRCA2. Vários casos de câncer de mama, ovário, pâncreas ou próstata na família são um motivo para conversar sobre aconselhamento genético46.

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Referências científicas

  1. Sandhu S, Moore CM, Chiong E, Beltran H, Bristow RG, Williams SG. Prostate cancer. Lancet. 2021;398(10305):1075-1090. doi:10.1016/S0140-6736(21)00950-8 · PubMed 34370973
  2. Kiciński M, Vangronsveld J, Nawrot TS. An epidemiological reappraisal of the familial aggregation of prostate cancer: a meta-analysis. PLoS One. 2011;6(10):e27130. doi:10.1371/journal.pone.0027130 · PubMed 22073129
  3. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Aconselhamento para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Rio de Janeiro: SBU; 20 out 2020. Disponível online
  4. Giri VN, Knudsen KE, Kelly WK, Cheng HH, Cooney KA, Cookson MS, et al. Implementation of Germline Testing for Prostate Cancer: Philadelphia Prostate Cancer Consensus Conference 2019. J Clin Oncol. 2020;38(24):2798-2811. doi:10.1200/JCO.20.00046 · PubMed 32516092
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  8. Cornford P, van den Bergh RCN, Briers E, Van den Broeck T, Brunckhorst O, Darraugh J, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer-2024 Update. Part I: Screening, Diagnosis, and Local Treatment with Curative Intent. Eur Urol. 2024;86(2):148-163. doi:10.1016/j.eururo.2024.03.027 · PubMed 38614820
  9. Nayan M, Hamilton RJ, Macdonald EM, Li Q, Mamdani MM, Earle CC, et al. Vasectomy and risk of prostate cancer: population based matched cohort study. BMJ. 2016;355:i5546. doi:10.1136/bmj.i5546 · PubMed 27811008
  10. Rider JR, Wilson KM, Sinnott JA, Kelly RS, Mucci LA, Giovannucci EL. Ejaculation Frequency and Risk of Prostate Cancer: Updated Results with an Additional Decade of Follow-up. Eur Urol. 2016;70(6):974-982. doi:10.1016/j.eururo.2016.03.027 · PubMed 27033442

Diretrizes

Baseado nas diretrizes da EAU (2024), na orientação da SBU e no consenso internacional de testes genéticos no câncer de próstata (Philadelphia, 2019).

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual com seu médico.